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Como o Agronegócio afeta o Meio Ambiente?

Atualizado: 9 de Dez de 2020



O agronegócio é um termo utilizado para fazer referência ao contexto socioespacial da produção agropecuária, incluindo todos os serviços, técnicas e equipamentos a ela relacionados, direta ou indiretamente. Desse modo, este setor da economia envolve uma cadeia de atividades que inclui a própria produção agrícola, como o cultivo de culturas do café, a demanda por adubos e fertilizantes, o desenvolvimento de maquinários agrícolas, a industrialização de produtos do campo como óleos, por exemplo, e o desenvolvimento de tecnologias para dinamizar todas essas atividades.


Importante campo da economia brasileira, o agronegócio envolve uma inter-relação entre os três setores, que são: o primário, com a agropecuária, o secundário, com as indústrias de tecnologias e de transformação das matérias-primas, e o terciário, com o transporte e comercialização dos produtos advindos do campo. O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de café e açúcar, sendo também um dos líderes no quesito de exportações de carnes bovinas e de frangos. Entretanto, o agronegócio, ao mesmo tempo que traz lucros ao país, também traz grandes prejuízos ambientais.


As críticas de cunho ambiental ao agronegócio são pautadas em virtude dos diversos impactos causados pela superexploração do meio ambiente. Em busca de uma monetização acelerada, muitas empresas do ramo do agronegócio desrespeitam as legislações ambientais e exploram o meio ambiente de forma irregular e irresponsável, sem se importar com as consequências dessa exploração, causando diversos problemas ambientais no espaço agrário, que muitas das vezes são irreversíveis. Entre esses problemas, destacam - se:


. O Desmatamento: A primeira consequência direta da atividade agropecuária no Brasil. Desde o início da colonização, grande parte das áreas de vegetação nativa do litoral, região Sul e Centro-Oeste do Brasil foi desmatada para abrir espaço para áreas de pastagem e cultivo. Em virtude desse crescente desmatamento, o Cerrado e a Mata Atlântica já foram introduzidos na lista mundial de biomas com grande diversidade que estão ameaçados de extinção (os chamados Hotspots), existindo ainda a previsão do desaparecimento do Pantanal e da Amazônia nos próximos anos caso sejam mantidos os mesmos índices de desmatamento nesses biomas. Dados do sistema Deter, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados em agosto de 2020, mostram que entre agosto de 2019 e julho de 2020, houve um aumento de 34,5% nos alertas de desmatamento em relação ao mesmo período do ano anterior na Amazônia. Ao todo, foram 9205 km² desmatados, o equivalente a 1.100.000 campos de futebol, que segundo especialistas, indicam que o desmatamento da Amazônia não é fruto da pobreza e do desespero de pessoas em situação de grande vulnerabilidade. Na verdade, trata-se de um esquema organizado, patrocinado por grandes proprietários e grileiros de terra.


. Perda da biodiversidade: Com o desmatamento, muitas espécies da fauna e da flora entram em extinção, pois não conseguem garantir a sua sobrevivência nas pequenas reservas que restam de seu ecossistema. De acordo com o IBGE, alguns exemplos de espécies que entraram em extinção devido ao desmatamento no Brasil, foram as aves maçarico- esquimó, a arara azul pequena, o anfíbio perereca - verde - de - fímbria, dentre vários outros.


.Degradação do solo: O desenvolvimento extensivo da agricultura tem causado a degradação do solo, que acaba se tornando improdutivo ao longo do tempo, gerando problemas ambientais. As técnicas de cultivo inadequadas, o uso intensivo de máquinas e a não rotatividade das culturas produzidas no solo, podem ocasionar o esgotamento dos nutrientes, compactação, erosão e aceleração da desertificação. Além disso, na pecuária, o pisoteamento contínuo do gado pode compactar o solo e favorecer o desenvolvimento de processos erosivos.


.Esgotamento dos mananciais: Em todo processo produtivo das atividades relacionadas com o espaço agrário, utiliza-se grande quantidade de água. Para se ter uma noção, na produção de milho, gastam-se 1750 litros por quilo produzido. Já para a produção de carne no Brasil, gastam-se, em média, 4325 litros por quilo de frango, 15.400 litros por quilo de carne bovina e 10.400 litros para cada quilo de carne suína. A progressiva retirada de água de mananciais e de reservatórios de águas subterrâneas por essas atividades pode acarretar a diminuição do volume ou até mesmo o esgotamento de rios e lençóis freáticos.


. Contaminação do solo, ar e água: O uso indiscriminado de agrotóxicos, fertilizantes e antibióticos tem causado a contaminação do ar, do solo e da água no meio rural brasileiro. O agrotóxico, ao ser lançado nas plantações ou no pasto, pode espalhar-se pelo ar, infiltrar-se no solo, atingir o lençol freático ou ser levado pela água da chuva para os mananciais e outros solos e plantações que não estavam contaminados anteriormente.


.Geração de resíduos: Cada vez mais é maior a quantidade de resíduos gerados durante a produção agropecuária no Brasil. Esse fato pode ocasionar problemas no descarte desses materiais e, como resultado, contaminação ambiental, já que muitos dos resíduos gerados, como potes de agrotóxicos e as fezes dos animais, devem ter uma destinação especial, que não é cumprida por grande parte das empresas.


Ultimamente, muito se tem falado sobre a sustentabilidade e os problemas ambientais causados pelo agronegócio no Brasil. As pautas ambientalistas têm ganhado muita força nas redes sociais e a discussão em torno da bancada ruralista se tornado frequente. A busca por práticas agrárias mais conscientes e com desenvolvimento sustentável é de extrema urgência para que as consequências do desmatamento do bioma brasileiro não se tornem totalmente irreversíveis. A sustentabilidade favorece não só o meio ambiente, mas também aumenta a produtividade das empresas e diminui os gastos futuros. Porém, ainda é muito comum o desrespeito com as leis ambientais, já que, como a fiscalização ainda é ineficiente, e as leis não são seguidas na prática, raramente se pune algum tipo de crime ambiental no país e, quando isso acontece, na maioria dos casos, as punições são relativamente brandas e as medidas de reparação exigidas não são efetivadas ou não é possível se recuperar a área degradada.

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