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O 11 de janeiro e sua relação com os agrotóxicos no Brasil

O dia 11 de janeiro, apesar de pouco conhecido, é o dia nacional do Controle da Poluição por Agrotóxicos, data pensada para promover a conscientização da população acerca de seus malefícios, já que o Brasil é o país que mais os utiliza: cerca de mais de 1 bilhão de litros por ano.

A história por trás dos agrotóxicos vem do século XX. Durante a 2ª Guerra Mundial, foram desenvolvidos para que funcionassem como arma química, ao intoxicar plantações e populações. Com o passar das décadas, novas necessidades de consumo emergiram, e a produção de alimentos teve de aumentar. Entretanto, a agricultura era assolada por pragas, principalmente em países tropicais, onde o clima é propício para sua proliferação. Esse é um dos fatores que explica como o Brasil, que é um dos maiores produtores mundiais de alimentos, tornou-se o número 1 no uso dessas substâncias.

Entretanto, a utilização de praguicidas oferece malefícios ainda pouco explorados e abordados pelos governantes que defendem o seu propósito. Afinal, além de matar pragas e pestes, o produto também ataca plantas e animais essenciais para a agricultura, como as abelhas e as minhocas. Somado a isso, há também a contaminação de lençóis freáticos e a intoxicação de seres humanos, podendo ter efeito cancerígeno e causar a malformação congênita nos seus descendentes, como lábio leporino, ausência de membros e deformações graves. Inclusive, estudos da Universidade da Califórnia mostram que a exposição de mulheres grávidas a pesticidas pode aumentar o risco das crianças nascerem com autismo.

A partir disso, é possível concluir que não se trata apenas de uma questão ambiental, mas também de uma questão de saúde pública. Ao longo dos anos, cada vez mais alterações têm sido feitas para tornar brandos os mecanismos regulatórios dessa prática. A problemática que envolve essa data tão pouco divulgada é que um dos objetivos dela é a mudança de atitude por parte dos agricultores, os culpando pela quantidade de agrotóxicos utilizados nas lavouras, mas a lei em si é permissiva e pouco faz para regulamentar e informar a comunidade rural. Durante o Governo Bolsonaro, isso não mudou. O atual presidente inclusive foi acusado pelo documento anual da ONG Human Rights Watch de liberar agrotóxicos e não fiscalizar o seu uso.

Poucas soluções são tão eficazes quanto eleger governantes que defendam uma política mais rígida acerca do uso de produtos químicos maléficos na agricultura, pois só eles podem desenvolver políticas públicas ambientais de incentivo à agroecologia - a Vitamazônia explica aqui um pouco sobre a importância da política para o Meio Ambiente nacional. Mas além disso, é possível também assinar o abaixo-assinado #ChegaDeAgrotóxicos, pela aprovação da política nacional de redução de agrotóxicos e para barrar o Projeto de Lei “Pacote do Veneno”. A nível pessoal, também é viável plantar uma mini horta em casa e passar a frequentar feiras orgânicas. Uma outra alternativa é a plataforma “Comida de Verdade”, que oferece iniciativas de agricultura familiar e produção orgânica, fundamentada na sustentabilidade e abolição do uso de pesticidas.

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